Outubro + que Rosa: ações permanentes no combate ao câncer de mama

Exames periódicos e alimentação adequada, evitando o sobrepeso, são importantes na prevcenção. Foto: Unsplash

Reportagem Alana Gandra

Com o mote: “Seu cuidado é seu poder. Quando a mulher se cuida, todas as vidas se fortalecem”, a Fundação do Câncer lança a campanha Outubro + que Rosa, para reforçar a data, marcada no mundo todo, que prega a prevenção ao câncer de mama. Este ano, não haverá nenhuma ação física da Fundação, mas somente em mídias digitais e painéis.

Falando à reportagem, o diretor executivo da instituição, cirurgião oncológico Luiz Augusto Maltoni, ponderou que ações muito pontuais têm pouco impacto no resultado final. “A gente é muito mais favorável em manter ações permanentes”.

Daí a decisão de manter a lógica do Outubro + que Rosa, com o objetivo não só de usar o mês de outubro como um alerta, chamando a atenção de mulheres para fazerem exames preventivos, se cuidarem, conhecerem seu corpo mas, ao mesmo tempo, que elas consigam, de uma maneira permanente, manter esse mesmo chamado a todas as pessoas que as cercam, parentes, companheiros, para que também façam seus exames e fiquem atentos a hábitos de vida saudável.

“Porque a gente sabe que em torno de 30% a 40% de todos os cânceres poderiam ser evitados com alimentação adequada, eliminando sobrepeso”, sublinhou Maltoni.

Divulgação

A campanha de 2025 do Outubro + que Rosa envolve divulgação maciça nas mídias digitais e através de parceiros, como a EcoPonte, terminais rodoviários, e também em painéis. Será divulgado ainda material nas mídias sociais da Fundação do Câncer. A entidade pretende lançar um volume grande de informação em todas essas mídias, chamando a atenção da importância de realização dos exames preventivos.

Maltoni salientou que a mulher deve estar atenta a conhecer o seu corpo, apalpar os seios, principalmente no intervalo entre as menstruações, examinar as mamas no banho e, a qualquer sinal, sintoma ou alteração que perceba, deve procurar o seu médico ou um serviço de saúde. “Toda mulher que sinta qualquer coisa deve procurar o serviço médico para fazer a mamografia, o exame clínico das mamas”.

A mamografia é recomendada para mulheres na faixa etária de 50 a 74 anos, embora o Ministério da Saúde tenha divulgado que vai garantir o acesso à mamografia no Sistema Único de Saúde (SUS) a mulheres de 40 a 49 anos mesmo sem sinais ou sintomas de câncer. De acordo com o ministério, essa faixa etária concentra 23% dos casos da doença e a detecção precoce aumenta as chances de cura.

Sem medo

De acordo com Maltoni, as mulheres devem ficar atentas porque o câncer de mama ainda é a principal causa de morte por câncer no sexo feminino, no Brasil. “É o câncer mais prevalente em mulheres. A gente tem quase 74 mil casos novos por ano no país. Então, o objetivo da campanha é difundir informação, para que as mulheres possam se sentir com menos medo de descumprir alguma coisa. É o que a gente percebe na população. As pessoas deixam de fazer exames preventivos ou deixam mesmo de procurar um serviço de saúde com medo de que, se eu procurar muito, eu acho. Isso é muito frequente”, disse Maltoni.

Luiz Augusto Maltoni. Foto: Hugo Vilarroel

E é exatamente o contrário que se busca, destacou. “Quanto mais a gente se cuida, a possibilidade de fazer um diagnóstico muito precoce de uma situação ultra curável, com resultado de cura perto de 100%, é muito melhor do que deixar passar e descobrir um problema grave em um estágio mais avançado”. A Fundação do Câncer pretende manter esse movimento vivo, oferecendo informação e conteúdo que seja claro, adequado e simples, para sensibilizar cada vez mais a população e, no caso específico do Outubro Rosa, as mulheres, em relação ao câncer de mama.

Mobilização

Como as mulheres constituem o centro familiar, elas podem despertar também nos parentes próximos a mesma atenção e cuidado para efetuarem exames necessários visando a manutenção da saúde. “A gente quer estimular que as pessoas desestigmatizem essa questão de que não quero mexer poque sou capaz de achar alguma coisa. É justamente o contrário. Vamos nos cuidar porque, com isso, a gente fica saudável e evita que muita coisa possa acontecer. E não só a mulher, mas os homens também. A mulher tem esse poder de mobilizar as pessoas”.

Segundo levantamento do Instituto Nacional de Câncer (Inca), a Região Sudeste do Brasil apresenta a maior incidência de câncer de mama. Luiz Augusto Maltoni explicou que o câncer de mama tem relação direta com aspectos socioeconômicos e, também se sabe que, com a realização de exames, aumenta a possibilidade de se fazer diagnósticos. “Nas regiões mais desenvolvidas, o acesso aos sistemas de saúde fica um pouco mais facilitado. Esse é um dos fatores que podem estar concorrendo para que haja mais casos de câncer de mama identificados nessa população”.

Observou, por outro lado, que se percebe nessa região um volume, muitas vezes, demasiado de mamografias em período muito curto,inclusive por mulheres abaixo da faixa etária indicada. A recomendação é que mamografias não devem ser feitas duas ou mais vezes por ano, nem que as mulheres passem três ou mais anos sem fazer o exame.

“Não podemos estigmatizar, nem negligenciar ou tampouco exagerar nos exames”, indicou o médico. Para uma mulher que não sente nada de anormal, a mamografia pode ser feita a cada dois ou três anos. Já mulheres com histórico familiar de câncer de mama, a atenção deve ser redobrada em relação aos exames preventivos.