Trump aplicará tarifa de 100% à China em meio à escalada da disputa comercial

O anúncio ocorre depois que a China prometeu impor restrições à exportação de terras raras. Foto: Pinterest

O presidente dos EUA, Donald Trump, disse que aplicará uma tarifa de 100% sobre as exportações chinesas para os Estados Unidos, em uma medida que pode desencadear uma guerra comercial acirrada entre as duas maiores economias do mundo.

Trump disse na sexta-feira que aumentaria os impostos sobre produtos chineses e imporia novos controles de exportação sobre “todo e qualquer software crítico”, uma medida que parece ter como alvo o setor de tecnologia da China. Seu anúncio ocorre após uma série de controles recentes sobre exportações de metais de terras raras, impostos pela China antes das próximas negociações comerciais com os EUA.

“Com base no fato de que a China assumiu essa posição sem precedentes… os Estados Unidos da América imporão uma tarifa de 100% à China, além de qualquer tarifa que eles estejam pagando atualmente”, disse Trump em uma publicação nas redes sociais, afirmando que as taxas entrariam em vigor em 1º de novembro ou antes.

Mais cedo, Trump acusou a China de “hostilidade comercial” e disse que poderia cancelar uma reunião planejada com seu colega chinês, Xi Jinping, à margem da cúpula da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (APEC), que começa em 31 de outubro.

Naquela publicação anterior nas redes sociais, Trump havia considerado a possibilidade de sanções severas em retaliação aos controles de exportação da China em relação a metais de terras raras.

Os EUA impuseram pesadas tarifas sobre produtos chineses no início da presidência de Trump, em uma tentativa de resolver o que descreveram como relações comerciais desequilibradas. Mas essas tarifas foram finalmente aliviadas depois que os dois países chegaram a um acordo para uma pausa de 90 dias, que deve expirar por volta de 9 de novembro.

Guerra comercial

A possibilidade de uma guerra comercial em larga escala entre os EUA e a China tem sido vista com alarme por analistas financeiros e investidores ao redor do mundo, que alertam que um confronto entre as duas potências pode abalar os mercados globais e desencadear uma recessão.

O relacionamento entre Trump e seu colega chinês tem sido instável, e ambos impuseram novas medidas destinadas a se oporem em áreas em que competem por influência, como o desenvolvimento tecnológico.

Metais de terras raras são vitais para esse desenvolvimento, e a China lidera o mundo no refino de metais para uso em dispositivos como computadores, smartphones e armamento militar.

Na quinta-feira, a China divulgou um conjunto de novas restrições à exportação desses produtos. Dos 17 elementos considerados metais de terras raras, a China agora exigirá licenças de exportação para 12 deles.

As tecnologias envolvidas no processamento de metais também enfrentarão novos requisitos de licenciamento. Entre as medidas está também um processo especial de aprovação para empresas estrangeiras que enviam elementos metálicos para o exterior.

Ameaças de ações retaliatórias

A China descreveu as novas regras como necessárias para proteger seus interesses de segurança nacional. Mas, em sua longa publicação no Truth Social, Trump criticou o país por tentar monopolizar a indústria de terras raras.

O presidente republicano alertou que reagiria com medidas protecionistas e buscaria restringir o acesso da China a setores sob o domínio dos EUA. O governo Trump já havia imposto tarifas pesadas à China, um dos maiores parceiros comerciais dos EUA.

Os EUA já tomaram medidas agressivas com o objetivo de prejudicar o setor de tecnologia da China, que consideram um concorrente importante do seu.

“Nossa relação com a China nos últimos seis meses tem sido muito boa, o que torna esta mudança no comércio ainda mais surpreendente”, disse Trump. “Sempre achei que eles estavam à espreita, e agora, como sempre, estou certo!”

Conflito sobre taxas portuárias

O conflito sobre o acesso a metais de terras raras foi apenas uma frente nas crescentes tensões econômicas.

Também na sexta-feira, a China anunciou que aplicaria “taxas portuárias especiais” a navios construídos ou operados pelos EUA, refletindo taxas semelhantes impostas por Washington em abril.

Os EUA formularam sua versão das taxas como uma forma de desencorajar a compra de embarcações chinesas. As taxas “enviariam um sinal de demanda por navios construídos nos EUA”, disse o Representante Comercial dos EUA, Jamieson Greer, na época.

A China começará a implementar suas próprias taxas em 14 de outubro, de acordo com um comunicado do Ministério dos Transportes. Os navios americanos que passarem por portos chineses pagarão 400 yuans — aproximadamente US$ 56 — por tonelada líquida, aumentando para 640 yuans ou US$ 90 até abril do ano que vem.

Enquanto isso, navios chineses que chegam aos portos dos EUA pagam uma taxa de US$ 18 por tonelada líquida ou US$ 120 por contêiner, o que significa que um navio com 15.000 contêineres pode ser cobrado em US$ 1,8 milhão.

Um porta-voz chinês disse à agência de notícias AFP que as taxas retaliatórias eram necessárias para “salvaguardar” os interesses do país.

“Instamos o lado americano a corrigir imediatamente suas práticas ilícitas e cessar sua repressão injustificada à indústria naval da China”, disse o porta-voz.

Por Aljazeera