Tecnologia explica recordes de novas empresas abertas no estado do RJ
Na avaliação do presidente da Jucerja, Sergio Romay, estamos no caminho certo
Reportagem Alana Gandra
A Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro (Jucerja) registrou, em agosto deste ano, o recorde de 7.318 novas empresas abertas, maior número para o mês nos 217 anos de existência da autarquia. O número superou a marca anterior, de 2023, de 7.240 aberturas. Já em relação a agosto de 2024, o aumento foi de 6,45%. Na avaliação do presidente da Jucerja, Sergio Romay, o resultado evidencia “que nós estamos no caminho certo”.
O resultado mensal levou o estado a atingir a maior marca em toda a história da Junta Comercial também no acumulado janeiro/agosto deste ano, com total de 57.839 novos negócios. Crescimento de 13,34% em comparação aos oito primeiros meses do ano passado, quando foram computadas 51.032 empresas.
Falando à reportagem, Romay atribuiu grande parte do sucesso alcançado à busca incessante pela tecnologia, que ajuda a Jucerja “com desburocratização, modernização da máquina pública, simplificação dos processos. Com isso, a gente é mais ágil, atende melhor os usuários da Junta Comercial, que é o grande empresário, o micro empreendedor de um modo geral, que é o pequeno empresário. E eles ficam felizes e mais ainda, porque é o Estado facilitando a vida de quem quer empreender, quer gerar receita, quer gerar emprego”. Segundo Romay, a orientação do governo fluminense é “abrir o tapete vermelho para quem quer empreender no Rio de Janeiro”.
Projeção
Somente este ano, já foram registrados seis recordes pela Junta Comercial. Além de agosto, os meses de janeiro (6.931), fevereiro (7.209), março (7.235), maio (7.382) e julho (7.682) apresentaram, do mesmo modo, as maiores marcas já registradas pela autarquia em sua história. Para o ano de 2025, Sergio Romay projeta que o número de empresas abertas deverá alcançar 84 mil, com expansão de 5% sobre o resultado de 2024, que foi próximo de 80 mil novos negócios.
“Isso significa de R$ 2,5 bilhões a R$ 3 bilhões em investimentos no estado do Rio de Janeiro, em abertura de empresas aqui. Algumas estão expandindo, outras que saíram no passado e estão retornando e outras que estão vindo pela primeira vez”. Afirmou que esse é um sinal muito positivo para a economia fluminense, porque representa geração de renda e de empregos “muito importante para toda a sociedade”.
As atividades mais procuradas pelos novos empreendedores são serviços de escritório, com 1.886 novos registros, englobando serviços de consultoria; consultórios médicos (1.585), consultórios de psicologia e psicanálise (1.527), comércio de vestuário (1.468) e restaurantes (1.347). “Quando a gente junta consultório médico com consultório de psicologia e psicanálise, a gente percebe que nossa população está carente de assistência médica, psicológica ou psiquiátrica. Estamos expandindo muito (nessa área)”.
Entre os municípios, o Rio de Janeiro lidera o ‘ranking’, com 29.309 novas empresas abertas em 2025, seguido por Niterói (4.224), Duque de Caxias (2.082), São Gonçalo (1.794) e Nova Iguaçu (1.633). “Em média, a estatística que acontece é sempre a seguinte: 50% na capital e 50% no interior. Basicamente, é meio a meio. Às vezes, dá uma diferença pequena”, disse Romay.
Fenaju
Também vice-presidente da Federação Nacional das Juntas Comerciais (Fenaju), Sergio Romay destacou a existência de um acordo entre os participantes de que “se alguém inova, tem que ser repassado para os demais”. Por isso, ele não atribui ao estado do Rio de Janeiro a liderança de empresas abertas. “Nós sempre vivemos trocando experiências, fazendo reuniões, uma vez por mês, em uma capital do Brasil, e a gente troca experiências. Porque o que a gente quer é ver o país crescer. Não importa onde ele vai crescer, se vai crescer proporcionalmente mais um pouco no Amazonas do que no Rio Grande do Sul ou mais no Rio de Janeiro do que em Minas. O que a gente quer é ver todo mundo crescendo”.
Entretanto, assinalou que, no contexto nacional, o Rio de Janeiro ocupa o segundo posto em número de negócios. O primeiro é São Paulo. Romay frisou que o Rio se acha próximo de Minas Gerais. Tem meses, inclusive, em que os dois estados “rivalizam, no bom sentido”, observou o presidente da Jucerja. A região Sudeste concentra 75% do ambiente de negócios brasileiros. Em termos de processos, trabalho, abertura de empresas, as três maiores juntas são as de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, seguidas do Espírito Santo.
Hipossuficiência
Sergio Romay abordou também a questão da hipossuficiência, que é a insuficiência de recursos financeiros para arcar com os custos de um processo judicial sem prejudicar o próprio sustento. Isso significa que uma pessoa hipossuficiente, ou economicamente hipossuficiente, não tem condições de pagar as despesas processuais, como taxas judiciais e honorários, sem comprometer suas necessidades básicas. A declaração de hipossuficiência é o documento que a parte interessada assina para atestar essa condição e solicitar gratuidade da justiça.
O presidente da Jucerja revelou que há cerca de um ano e dois meses, foi montado um novo projeto pela autarquia, que é o Centro de Atendimento ao Empreendedor (CAE), para atender pessoas hipossuficientes que, após a pandemia da Covid 19, por exemplo, quebraram e não tiveram condições de fechar sua empresa, porque faltou dinheiro para arcar com pagamentos de contador e advogado societário para fazer esse trabalho.
“A Junta Comercial estabeleceu parceria com o Conselho Regional de Contabilidade do Rio de Janeiro (CRCRJ) e fez um chamamento público para que a gente pudesse abrir unidades descentralizadas no estado, com supervisão de um contador, para poder fazer esse fechamento gratuitamente, para essas pessoas hipossuficientes”. Isso significa que quando uma empresa é desativada, ou para, ou quebra, o projeto auxilia para que o proprietário ou acionista não fique desassistido até uma eventual necessidade de uma aposentadoria, da busca de uma nova atividade profissional. “Então, nós estamos fazemos esse serviço gratuitamente, atendendo a sociedade fluminense”.
Já estão em funcionamento 23 unidades do CAE no estado, prevendo-se atingir um total de 40 centros semelhantes. Faz parte do esforço também o Instituto Brasileiro de Administração Municipal. Os CAEs oferecem orientação gratuita para baixa de empresas inativas, cancelamento de Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) e esclarecimento de dúvida sobre os serviços da Junta Comercial ou do micro empreendedor individual (MEI) “que anda muito desassistido”, apontou Sergio Romay.
Em um ano e dois meses, foram efetuados 60 mil atendimentos, com 1.205 empresas já baixadas. A estimativa é que haja no estado entre 20 mil a 30 mil empresas pequenas que se encontram paradas há muito tempo. A ideia do projeto é oxigenar o cadastro da Jucerja, saber quantos empreendimentos existem, quantas empresas não estão mais funcionando, quantas não deram baixa de maneira regulamentar.
