Setor de bares e restaurantes prevê fechar 2025 com números positivos
Segundo a pesquisa da Abrasel, 43% tiveram lucro e 40% se mantiveram estáveis. Foto: Freepik
Reportagem Alana Gandra
Os números registrados até o momento projetam resultados favoráveis para o setor de bares e restaurantes não só nos próximos meses, mas no consolidado do ano, disse à reportagem o líder de Conteúdo e Inteligência da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), José Eduardo Camargo. “A expectativa é fechar o ano com bons números positivos”, manifestou.
Pesquisa feita pela Abrasel entre os dias 15 e 23 de setembro, com 2.214 respostas em todo o país, sinalizou nesse sentido, ao revelar que, em agosto, o setor de alimentação fora do lar apresentou o menor índice de empresas com prejuízo desde a pandemia da Covid-19, iniciada em 2020. Somente 16% dos estabelecimentos fecharam no vermelho, contra 43% que tiveram lucro e 40% se mantiveram estáveis, apontando no sentido de recuperação do setor.
“A gente tem alguns bons indicadores”. Um exemplo é o emprego, que está muito ligado ao desempenho do setor. “Quando as pessoas têm emprego, elas consomem. E bares e restaurantes são muito sensíveis a um indicador como emprego”, indicou Camargo. Acrescentou que além da baixa do desemprego, contribuem para uma expectativa positiva os salários médios aumentando e a inflação sob controle, que pode levar à queda dos juros, beneficiando empresas endividadas. “Então, a gente tem uma expectativa boa para esse fim de ano”.
O dólar sob controle, que influi no preço dos insumos, é outro fator que pode beneficiar o setor de bares e restaurantes. “O que o empresário deseja é ter previsibilidade. Conseguindo ter esses indicadores sob controle, você consegue fazer um melhor fluxo de caixa, consegue planejar investimentos e esse é um ciclo virtuoso”.

José Eduardo Camargo afirmou que fatores adicionais podem favorecer as empresas representadas pela Abrasel. A entidade defende, por exemplo, a volta do horário de verão, porque considera que além de contribuir para a economia de energia, a partir do uso mais racional de energia, o horário a mais de luz natural no fim do dia é benéfico para o comércio como um todo e para as cidades, porque as pessoas – conforme indicam pesquisas – se declaram mais dispostas e seguras para ir à rua, circular, passar pelo comércio e, também, frequentar bares e restaurantes. “A gente estima que pode ter um aumento do faturamento com a volta do horário de verão”. Segundo Camargo, o retrato que se tem hoje traz esperança de um fim de ano bom para o setor.
Problemas à frente
Já alguns indicadores podem significar problemas mais à frente, como alto endividamento. A sondagem da Abrasel revelou que somente 36% das empresas têm dívidas em atraso. “Já chegamos a ter número muito alto de empresas com dívidas em atraso, de mais de 45% em determinados momentos. Isso veio caindo, pouco a pouco, e mostra que o setor está ficando mais saudável”. Ressaltou que ainda é um número preocupante, porque significa mais de um terço das empresas com pagamento em atraso, “mas é um número bem melhor do que já foi, inclusive”. Os principais débitos são impostos federais (71%), impostos estaduais (48%) e empréstimos bancários (35%).
Outras variáveis, como o cenário externo e a questão das tarifas, podem influenciar no preço das ‘commodities’ (produtos agrícolas e minerais comercializados no mercado exterior) e de alimentos.
Em termos de faturamento, os números de agosto revelam que 39% das empresas tiveram aumento das receitas em comparação a julho, 34% registraram queda e 27% se mantiveram estáveis. Outro dado positivo foi que, mesmo com a inflação acumulada de 5,13% nos últimos 12 meses, 56% das empresas reajustaram seus preços acompanhando o índice (36%) ou abaixo da inflação (20%), enquanto apenas 6% repassaram valores maiores e 38% não realizaram nenhum reajuste nos cardápios.
“O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) mostra que o nosso setor está conseguindo recompor pouco a pouco os preços dos cardápios. Mas não é uniforme. Boa parte não consegue. Mas, no geral, a gente vem conseguindo, este ano, recuperar um pouco de margem em relação a tudo que foi perdido pela pressão da inflação, nos três últimos anos. Esse é um quadro também favorável para o setor”.
A Abrasel conta atualmente com 27 mil empresas associadas, mas representa todo o setor no Brasil, sejam estabelecimentos filiados ou não, explicou José Eduardo Camargo.
Trabalho intermitente
O setor de alimentação fora do lar contabiliza cerca de 5 milhões de empregos, a maioria informais. “Esse é um ponto de atenção no nosso setor”. Camargo destacou, entretanto, que a alta informalidade é uma característica do Brasil. Reconheceu que algumas medidas podem ajudar a ter uma maior formalização no setor. No âmbito da reforma tributária, a Abrasel defende que o setor tenha desoneração do valor correspondente a um salário-mínimo na folha de pagamento das empresas, porque isso estimularia a formalização no setor. “As empresas veriam mais vantagem em ter essa formalização”.
Outro mecanismo defendido pela Abrasel e que começa a apresentar expansão no país é o trabalho intermitente, que permite às empresas contratar pessoas por jornada. De acordo com o Supremo Tribunal Federal (STF), o contrato de trabalho intermitente é uma modalidade de prestação de serviços em que o empregador convoca o trabalhador para prestar serviços quando necessário, com antecedência, e a remuneração é feita pelas horas efetivamente trabalhadas, sem recebimento de salário-base durante os períodos de inatividade. Apesar da flexibilidade, esse tipo de contrato mantém os principais direitos trabalhistas, como férias, 13º salário, Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e outros benefícios, proporcionais ao tempo trabalhado. A regra é válida para todas as atividades, exceto para os aeronautas, que são regidos por legislação própria.
“A empresa tem mais previsibilidade e não precisa ficar com a pessoa contratada nos momentos em que não há necessidade”. Camargo entende que o trabalho intermitente estimula a formalização, na medida em que o contrato é assinado em carteira. Nos Estados Unidos, quase 50% dos empregos têm esse caráter intermitente. “É comum no mundo todo e, no Brasil, está crescendo”, concluiu.
